sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Diversos

Amar é de graça e o retorno é impagável.
Quanto mais tento entender o outro,
mais entendo sobre mim.
Só conseguimos ser metade,
quando já fomos inteiros.
Só existe espaço para gostar, 
quando não existe a vontade 
de mudar o outro.
Se não for para ter carinho, 
prefiro minha própria companhia.
É na solidão que descobrimos o mundo que existe em nós.
O aprendizado da família
é saber amá-la e respeitá-la
sob TODAS as circunstâncias.
Rossana Beck

sábado, 30 de julho de 2016

Homens e Garotos

Homens ligam e se importam no dia seguinte, garotos fazem jogo;
Homens são carinhosos e atenciosos, garotos são egoístas e egocêntricos;
Homens sabem cuidar de uma mulher, garotos não sabem nem cuidar de si;
Homens buscam uma mulher; garotos buscam uma mãe;
Homens são independentes e parceiros; garotos são dependentes e distantes;
Homens são livres e querem compartilhar esta liberdade com uma única mulher; garotos     são livres e querem compartilhar esta liberdade com todas as mulheres;
Homens buscam qualidade, garotos... quantidade;
Homens doam-se, garotos sugam;
Homens valorizam uma mulher, garotos desvalorizam;
Homens e garotos não diferenciam-se pela idade, mas sim pela atitude e maturidade.
Rossana Beck

E quem não tem medo de ressonância?

Resolvi escrever este post à parte para todo mundo saber o que acontece lá dentro, já que ninguém é honesto e claro sobre isso, até porque se fosse ninguém faria realmente!
Fujo há anos deste exame mas minha ginecologista disse que desta vez eu não podia adiar mais, TINHA que fazer (ok, vamos lá, doses de coragem, minha mãe a tiracolo e um rivotril s.o.s na bolsa, vai que né?), chegando lá eu estava impressionantemente tranquila, a enfermeira me chamou e eu estava tremendo, mas era o frio, apenas o frio  (eu em um diálogo interno me convencendo que não estava apavorada). Conversamos e ela começou a fazer piada para me distrair, e incrivelmente nestes momentos mais tensos eu torno-me a própria piada. Bom, a enfermeira deu a espetada para colocar o acesso dos medicamentos, o buscopan e o contraste (eu achava), até aí tudo bem, já era o esperado e já estava me preparando psicologicamente há semanas, até que ela me informou que iria inserir soro lá atrás (isso mesmo que você entendeu) e gel lá na frente (é, exatamente)! Hein!? Como assim?!! Ninguém me falou sobre isso antes!! Pra que gente? Pra que tudo isso!? Mas não teve jeito, já estava ali, totalmente desprotegida e vulnerável, espetada, a única saída era aceitar...vai enfermeira, coloca aí o soro e o gel e leva toda a minha dignidade junto...
Bom, depois disso, o resto era tranquilo...só que não. Tinha a parte da taquicardia e falta de ar que o buscopan dava e depois disso prender a respiração várias vezes até não aguentar mais (isso com a capacidade respiratória já reduzida por conta do pavor todo de tudo que passei antes no preparo), enfim, fui rezando, pensando no mar, em belas paisagens, tentando me acalmar e até que me acalmei, aí depois de um tempo que me pareceu a eternidade entra a enfermeira e eu penso: Acabou! Não tive alergia ao contraste! Até que foi Tranquilo! E ela diz: Agora moça, vamos colocar o contraste. Jura?? E aí meu mundo desabou mais uma vez, todo o pavor voltou. E seu eu tiver alergia ao contraste? Ainda não sei! Eles perguntam isso na entrevistinha que fazem, mas sei lá porra, como vou saber?! Bom, foi tudo bem...para a minha alegria e reconquista da calma perdida, nada aconteceu!
Rossana Beck

O Dia Seguinte

O dia seguinte é um contexto à parte de qualquer dia anterior. É a expectativa de que tudo vai ser conforme prometido, idealizado, sonhado, vivido realmente. É a expectativa de que nada vai ser diferente daquele momento maravilhoso vivido. A expectativa que aquele sentimento, mesmo que ingênuo e precipitado, continue, que não seja ilusório mas que consolide-se como verdadeiro. A expectativa que a nossa expectativa seja confirmada, que não tenhamos sido bobos pelo que esperamos no dia anterior. Que aquele calafrio, ou esperança, ou sinceridade de um estar bem e presente realmente não tenha sido em vão ou passageiro ou de momento.
O dia seguinte vem com esta carga toda e temos que fingir que estamos tranquilas, que não ligamos, que não nos apaixonamos. E temos que entrar no jogo para não estragar tudo... O dia seguinte geralmente não é como desejamos, de poder simplesmente dizer tudo que sentimos do dia anterior, de que foi ótimo, especial, verdadeiro e perfeito.
O dia seguinte vem com toda esta ebulição e o compromisso de termos que deixar tudo dentro de nós... pois muitos não conseguem suportar e se afugentam com a sinceridade e verdade de um sentimento.
O dia seguinte é a expectativa da continuidade de um momento romântico e perfeito.
Rossana Beck

terça-feira, 21 de junho de 2016

Dança

A Dança...
Dançar liberta a alma, faz ela ser livre e inteira...
Dançar nos conecta com o divino que habita em nós...
Dançar nos conecta com nossa profundeza e luz...
Dançar engrandece e enobrece o espírito...
Dançar traz cor para o que era cinza...
Dançar traz vida para o que estava morto...
A Dança é um presente de Deus para transbordar de alegria, esperança e amor nossos dias!
Rossana Beck

Esta tal Maturidade

Bom, a tão falada maturidade chega para todos...ou não. Tem gente que passa a vida toda no modo "infância" e não tem jeito, vai morrer assim. Mas para os que buscam o aperfeiçoamento interno, o autoconhecimento, o entendimento de si, para estes sim, a tão comentada maturidade chega! E o que seria isso? Bom, falando por mim, a maturidade é perceber que tudo o que era antes tão importante e primordial, hoje já não é mais... É perceber que você consegue olhar para o passado e ver que hoje tornou-se um ser completamente diferente só que com a mesma essência, um ser melhor, burilado e lapidado de forma cuidadosa e delicada. É perceber que mesmo na turbulência você entende que aquilo é passageiro e consegue manter a paz. É perceber que o que antes era angústia hoje é entendimento. É ter fé que Deus está no controle quando damos o nosso melhor, quando nos esforçamos para sermos o nosso melhor. Isso é o que entendo por maturidade. É algo lindo... uma paz, confiança e equilíbrio conquistados com muito esforço, empenho e dedicação. É conquistar a chave do Templo Interno =)
Rossana Beck

Relacionamentos Virtuais

Gente, o que falar disso?! Uma tragicomédia grega ou romana (não importa!) seria a forma mais adequada de definir os relacionamentos virtuais. Só sei que tem muita coisa percebida para ser dita, vivida para ser contada! Vamos lá, hoje as opções são muitas no mercado: Tinder, Par Perfeito (PP para os íntimos), Adote um Cara (What??), happn, kickoff e por aí vai...
Apesar das muitas opções de aplicativos e sites, as carinhas em todos são sempre as mesmas, os perfis psicológicos são sempre os mesmos também: ou homens malucos que estão ali apenas para brincarem e se divertirem com o sentimento alheio, ou homens que buscam uma mãe numa coisa meio "complexo de Édipo tardio", ou homens que não cresceram e buscam uma mãe no sentido literal da palavra, ou homens que buscam uma "mulher psicóloga ou terapeuta" gratuita para suas questões existenciais nunca resolvidas em um divã.
Uma coisa que percebo em 90% dos carinhas que encontrei é que mentem na idade (como se isso fosse passar despercebido no primeiro encontro), mentem sobre sua forma física (colocam aquela "saradinho" de 7 anos atrás), mentem sobre o que pretendem (Claro meu amor... quero namorar! Meu amor quero me apaixonar! Quando na verdade querem só sexo mesmo) e na mesma vertente banalizam as palavras: linda, meu amor (no primeiro encontro quando o cara já fala "meu amor" já desconfio...experiência dá nisso), e por aí vai....
Dos 10% que sobram, 8% é doido de pedra, tem esquisitices (para o que busco!), peculiaridades que não me agradam (já escutei desde "gosto de bater" até "vamos numa casa de swing" no primeiro encontro! What?? Super romântico né?! Sério mesmo que você está me falando isso!!? E isso porque no meu perfil deixo bem claro que: "Quero namorar, sou romântica, não curto sexo casual, não suporto grosseria, egoísmo e egocentrismo..." O que estou fazendo de errado? Alguém pode me dizer porque mesmo sendo tão clara me aparecem estas bombas!?
Bom, o que sei é que estes apps são um estudo antropológico masculino, onde existem 2% por aí que ainda não esbarrei virtualmente e que talvez sejam como eu, com os mesmos interesses e afinidades... Quem sabe um dia o universo conspira a meu favor e eu esbarre com um ser destes 2% e vice versa! Let´s see!
Rossana Beck

domingo, 1 de maio de 2016

Samba Interno

Como tudo começou?
Começou quando eu nasci e era muito nova para ter consciência que minha vida seria uma montanha russa. Naquela época lembro-me vagamente que já houveram momentos de muita tristeza e muita alegria, de desconforto, medo e insegurança por coisas aparentemente bobas, como achar que meus pais ao saírem para fazer compras nunca voltariam...Ainda criança só que mais consciente, lembro-me de ver álbuns de fotos minhas e pensava: Nossa, como me deixaram sozinha tão pequena? Eu não entendia ainda que para existir aquela foto, tinha alguém por trás de uma câmera tirando a foto, ou seja, eu não entendia que não estava sozinha. Sentir-me sozinha e abandonada desde aquela época já era um grande problema que me gerava ansiedade e tristeza. Até que o tempo passou e tornei-me adolescente...
Junto com a adolescência, veio a escola de samba na minha mente (zilhões de pensamentos, ideias e muita criação tudo junto e misturado) e um buraco negro bizarro agarrado em mim, veio achar-se feia, parecer um ET por ser a única da turma que ainda não tinha menstruado, não tinha bunda nem peito e nem beijado obviamente. Quem iria querer beijar um ET sem bunda e sem peito? Bom, esta época passou e por me achar tão feia comecei a me ver completamente distorcida e aí veio a anorexia. Eu já era magrela, e fiquei mais ainda e mesmo assim me achava bem gorda....até que meu apelido na escola virou "somália" naquela época não existia bullying, mas era bullying definitivamente, e eu boba, não entendia =/ Hoje entendo não só o bullying mas que anorexia/bulimia vieram por outros fatores (e não por me achar feia, isso já era consequência também) como insegurança, desamparo e medo. Eu queria chamar atenção, que notassem a minha existência, que eu importasse para alguém de algum jeito!
Bom, como eu não comia nada durante o dia, chegava em casa de noite esfomeada e comia o mundo, tudo o que via pela frente, sem piedade da comida ou de mim, e o que era anorexia virou bulimia e eu fui escrava disso por um bom tempo e nesta época comecei a beber muito (talvez para me libertar da escravidão na qual havia me submetido voluntariamente), nesta época tive meu primeiro beijo, primeiro namorado, minha primeira paixão, meu primeiro amor platônico e meu primeiro amor real, minha primeira decepção e frustração amorosa, tudo junto, na mesma época e a cabeça e o coração continuando uma bagunça total com a escola de samba e buraco negro sempre presentes!
Apesar de ser escrava a bebida me libertava da escravidão e do buraco negro bizarro, mas triplicava exponencialmente a escola de samba e eu era divertida, única, alegre, feliz, animada, engraçada, colorida, até o buraco negro me abraçar totalmente e ser a única saída para qualquer coisa, meu único amigo e o único que me entendia e suportava. Ainda bem que tinha total consciência que se experimentasse qualquer outra coisa o caminho seria sem volta...bom, no meio disso tudo eu era questionadora, existencialista e profunda, queria saber o porque de existirmos, de onde vínhamos, quem era Deus, o que estávamos fazendo aqui. Tinha certeza que não estávamos aqui à passeio, esta certeza sempre existiu dentro de mim e não sei de onde vinha apesar de eu não saber nada sobre isso. Então, mesmo bagunçada (às vezes animada, eufórica, sempre criativa e única, às vezes engolida pelo buraco negro) eu buscava respostas para tudo. Mesmo deprimida eu queria entender, apesar de não querer existir. Quando eufórica eu não queria saber de nada disso, tudo estava ok, certo e ótimo, eu só queria aproveitar e agradecer por estes momentos, mas o dia seguinte era sempre ladeira abaixo e passava dias deprimida e sombria. Bom, depois de muitas paixões eternas que duravam poucas semanas e términos dramáticos, e toda a mesma confusão e bagunça interna, entrei para a faculdade.
Na faculdade tudo continuou igual, a montanha russa só ficou maior e mais intensa. Dirigi inúmeras vezes completamente bêbada e vivia fraca por não comer e por colocar para fora tudo o que comia, até mesmo uma simples maçã. Apesar disso eu era divertida, a alegria da festa! Ninguém conhecia o buraco negro que me acompanhava....quando ele aparecia era só eu e ele. Até que perdi um período da faculdade por não conseguir sair da cama para viver, não queria me matar, mas não queria viver. E aí é que comecei a procurar ajuda, e a minha mãe começou a entender que a coisa era séria e me ajudou a me ajudar. Tratamos a bulimia e a depressão e em apenas seis meses já estava completamente bem! Mesmo assim a bebida ainda era uma grande companheira, ela agora me libertava das minhas questões existenciais, que não eram poucas...Depressão controlada mas a escola de samba deu uma guinada na minha mente, ansiedade nível hard core!
Bom, veio trabalho, a bebida continuava, a busca existencial também, até que veio o yoga, a meditação, o casamento e o Hare Krsna. Ufa, será que agora a escola de samba ia serenar, será que conseguiria simplesmente ser e estar, como qualquer ser humano normal, sem pensar tudo e tanto ao mesmo tempo? Bom, não...foi muito difícil ser Hare Krsna, eram muitas regras e rituais, e eu não conseguia seguir direito, o que me gerava mais ansiedade e culpa. Tentar ser zen e Hare Krsna foi bizarro, não bebia, não transava, fiquei cega, estava no 8 e agora no 80 e ansiedade chegou a níveis estratosféricos pois não tinha mais válvula de escape (zero de bebida e sexo)....e a culpa cada vez maior (por não conseguir ser Hare com tantos rituais e regras) trouxe mais ansiedade até que isso tudo culminou em pânico...e o casamento acabou e o buraco negro voltou, na verdade ele nunca foi embora, estava sempre ali, na espreita, oportunista só esperando uma brecha.
Voltar para a casa dos pais aos 35 anos foi uma derrota, ter falhado no casamento foi uma derrota, logo eu, canceriana. Tudo que sempre quis era uma casa no campo com um marido que eu amasse e que me amasse, filhos como fruto deste amor e a realização de ser mãe. Bom, nada disso aconteceu e foi uma queda bem grande e aí voltei aos psiquiatras e às terapias para juntar os cacos que restaram de mim e me reconstruir (não tinha mais esperança alguma, achava que a partir de agora seria um ser de cacos colados e nada mais) e tratar tanta ansiedade e depressão. E nada adiantava.... como sempre, os remédios faziam efeito no começo e só, e então eu parava o tratamento por conta própria. Importante dizer que no meio disso tudo, desde lá de trás, tentei de tudo, homeopatia, acupuntura, florais, ayurveda, tarô, astrologia, religiões e tantas outras alternativas, enfim, tudo para me curar, equilibrar, entender e me encontrar. Até que...
Um psiquiatra me diagnosticou sendo bipolar, e obviamente tive um baita preconceito e achei que ele não sabia de nada, eu tinha certeza que tudo era fruto da ansiedade ou depressão, eu queria que ele tratasse eficazmente isso, saí de lá e não fiz o tratamento prescrito. Continuei com minha escola de samba, minhas manias e paranoias e minha tristeza profunda que surgia no meio disso tudo sem dar aviso prévio. Até que...
Dei uma surtada um tempo depois (joguei o computador novo na parede e quase esmurrei a recepcionista de um prédio no mesmo dia, muita raiva, ira e choro, descontrole total de mim) e parei num hospital psiquiátrico e fui orientada a procurar um psiquiatra (Sério? Eu faço isso a minha vida toda e ninguém consegue me tratar, sou um rato de laboratório na mão deles!). De qualquer forma fui para mais uma tentativa de cura, diagnosticada novamente sendo bipolar, aí comecei a levar mais a sério, trabalhei meu preconceito lendo diversos livros sobre o assunto, me identifiquei, e aceitei me tratar....e tudo começou a melhorar, mas ainda não estava sensacional, cada vez que eu ia lá saía com mais um remédio a tiracolo! De qualquer forma fiquei bem melhor, a escola de samba deu uma acalmada e comecei a me sentir bem melhor, mais equilibrada, calma, porém comecei a me preocupar que eu não era mais eu, mas muito pelo contrário, pela primeira vez eu estava começando a descobrir a verdadeira pessoa que eu era. Antes é que eu não era eu, antes eu era um eu em desequilíbrio. Isso sim foi uma libertação, faz 10 meses que venho me descobrindo e me encantado comigo mesma e me aceitando e amando como nunca me aceitei e amei. Hoje minha química cerebral está equilibrada e Eu sou Eu!
Nestes 10 meses, aceitei e comecei o tratamento com este último psiquiatra até que encontrei uma psiquiatra sensacional que caiu no meu colo, um presente do universo sem dúvida, e passei a me tratar com ela e fizemos umas alterações que me deixaram melhor ainda! Também tenho feito terapia com a melhor terapeuta do mundo! Bom, estas duas mulheres e profissionais lindas (com um imenso coração pelas quais serei eternamente grata) tem me ajudado muito nesta descoberta de quem eu sou de verdade. Hoje posso dizer com total convicção que eu sou eu! Claro que ainda faltam alguns ajustes e que a caminhada é longa, mas sou tão obstinada em me descobrir que não vejo esta caminhada como problema, mas sim como libertação e uma descoberta maravilhosa =)
Apesar de ser uma grande exposição falar sobre isso, e talvez não tão divertido ou engraçado, acho que falar pode ajudar alguém, pode fazer alguém não se sentir estranho ou sozinho. Pode ajudar alguém a não ter preconceito pelo que tem, vencendo a si mesmo. Pode ajudar alguém a se aceitar, se curar e se amar.
Rossana Beck

Sobre Homens

Ah os Homens, o que dizer deles? Tantas coisas, tantas coisas que cada um deles é, porém algo se destaca muito em cada um deles que os tornam imperfeitos em cada momento. Nunca o momento x casa com o homem x, sempre estou num momento y conhecendo um homem z (Que droga! Mas não perco a esperança que um dia vai! Ah vai!) Mas e aí? E aí que um é fofo demais, tem pegada demais, é deprimido demais, é amigão demais, é tarado demais, cafajeste demais, pervertido demais, legalzinho demais, sem sal demais, filosófico demais, vazio demais, engraçadinho demais, profundo demais, fortão demais, magrinho demais, alto demais, baixo demais, com atitude demais, distante demais, sufocante demais, sem atitude demais....e por aí vai. Sei que não vou encontrar o homem perfeito, e minhas amigas acham que é esta a minha busca, mas não, juro que não é, até aceito vários defeitos, mas tem alguns que não são aceitáveis para mim ou não encaixam com o que eu preciso em um homem. A grande verdade é  que quero um pouquinho disso tudo, será que pode?
Rossana Beck

Sobre Medos e Fobias...

Medos e fobias sempre terminam com uma reticência. Pois eles sempre estão surgindo, aumentando ou diminuindo (o que é o ideal!). Posso falar dos meus e do que passo ou passei e vejo que eles finalmente estão diminuindo depois de muitos psiquiatras e terapeutas, depois de ter sido um rato de laboratório na mão deles, encontrei dois seres iluminados (uma psiquiatra e uma terapeuta) que realmente estão preocupadas e engajadas em me curar (se é que isso é possível, mas ao menos o mais próximo disso!). Uma caiu do céu e a outra eu implorei e insisti tanto em ser sua paciente que a única saída dela foi me tratar.
Bom, vamos aos medos e as fobias...
Hospital, hospital é uma coisa que sempre me deixou apavorada. Quando eu era criança, até para ir visitar algum familiar enfermo eu ficava tão paranoica que  achava que algum médico iria me agarrar pelo corredor e fazer exames em mim e achar alguma doença bizarra incurável. E este medo só foi aumentando e obviamente o medo de doenças foi aumentando proporcionalmente. Bom, depois dos dois seres iluminados já citados, hoje entro no hospital sozinha, consigo fazer tomografia sem fazer escândalo e volto para casa sem ficar achando que estou infectada por milhões de germes e bactérias =)
Mania de doença, eu nunca achei que tivesse isto, porque realmente sempre senti as dores e os sintomas de tudo que achava que tinha, na minha criativa mente eram os médicos da emergência do hospital que eram novos, inexperientes e ruins ao ponto de não descobrirem o que eu tinha! Voltava para casa aliviada e um pouco frustrada, meio estranho isso, mas é que não descobrindo nada eu realmente estava mais próxima de ser louca do que ter efetivamente algum problema físico. Isso também melhorou, melhor dizendo, melhorou consideravelmente, ainda tenho um medinho de ver resultado de exame de sangue, de ressonâncias, de preventivo e de tomografias, mas não tenho mais a mania de achar que estou com alguma doença grave!
Ressonâncias e tomografias. Pavor! Diversos médicos já me pediram estes exames, mas sempre me recusei! Certeza que eu ia descobrir na hora da tomografia que tinha alergia a iodo e que ia sofrer uma parada cardíaca e que a clínica, por mais boa que fosse, não estaria preparada para me ressuscitar pois não era um hospital, era apenas uma clínica de exames! Certeza que na hora da ressonância minha pressão ia cair e meu coração ia disparar com aquela espetada da agulha e com o buscopan intravenoso!
TOC, bem o toc é um amigo ainda, o pouco que me resta de sentir que tenho controle sobre algo. As listras da colcha da cama precisam estar alinhadas com a lateral da cama, os papéis e cadernos precisam estar impecavelmente alinhados uns com os outros, meus livros precisam, definitivamente, estarem organizados por temas. Bom, acredito que isso não é um toc super toc, pois consigo viver, e sei que as pessoas que tem toc são reféns totais disso ao ponto de não saírem de casa, de perderem seus empregos e suas vidas. Acredito que o que tenho é apenas uma organização além de um limite normal, ok, consigo conviver com isso. Só me atrapalhando às vezes quando já estou super aconchegada para dormir e lembro que ao tirar a meia ela caiu no chão e isso me incomoda tanto que preciso levantar para deixá-la no lugar específico que determinei onde as meias devem ficar e em todos os momentos que não consigo deixar nada largado e jogado de qualquer jeito, desencanadamente.
Pânico, o pânico felizmente é um ex namorado! Uma relação sofrida que me deixava fora de mim, com o mundo sem ar para me suprir, com meu coração palpitando descontrolado e achando que ia morrer em segundos e que ninguém me entendia, era uma solidão imensa de segundos, só eu e ele, que parecia uma eternidade! O pânico é egoísta, chega e quer você toda só para ele, bom, felizmente consegui terminar esta relação destrutiva de anos. Meu primeiro ataque foi por volta dos 20 anos dentro de um cinema, tinham muitas pessoas e não tinha ar para tanta gente! E se o cinema pegasse fogo? Eu morreria pisoteada. E se entrasse um maluco atirando em todo mundo? E se... e se...? Bom, isso tudo passou junto pela minha cabeça, como um tornado, em milésimos de segundo e claro, o ar faltou, o coração saiu pela boca e quase desmaiei, moral da estória, sai no início da sessão e meu namoradinho da época começou a desconfiar que eu era louca). Meu segundo, foi decidir fazer uma viagem com este mesmo namoradinho, para o sul de ônibus, bom até a véspera tudo ok, malas prontas e animados, até que comecei a ter certeza que iríamos sofrer um acidente, que o ônibus iria capotar e morreríamos todos, que o motorista ia dormir e ficaríamos presos nas ferragens, sangrando aos poucos até morrer. Enfim, tinha certeza disso (minha intuição nunca falha! Será? Bom, nunca paguei pra ver) e ninguém tirava isso da minha cabeça e acabei com o sonho da viagem maravilhosa quando estávamos às 18 hrs da tarde, do dia anterior à viagem, pedindo ressarcimento das passagens na rodoviária, aí meu namoradinho teve certeza que eu era louca. Foi aí que tive certeza que ele me amava, pois continuou comigo mesmo assim. E desde então vieram muitas outras fobias seguidas do pânico. Engarrafamento no túnel, certeza que a montanha ia desmoronar, que aquela terra ia cair toda sobre mim e que iria morrer soterrada e sufocada. Ter me cortado, certeza que tinha pego tétano, entre outras certezas que tenho até vergonha de dizer. Bom as fobias e pânico são inexplicáveis, tem vida e inteligência próprias. Todas as vezes que transei com camisinha e tomando pílula, certeza que tinha engravidado, porque não tomava a pílula exatamente nos mesmos horários e vai que eu tinha esquecido de tomar alguma e não me lembrava disso, e vai que a camisinha estava com um furo imperceptível? Alguém espirrando perto de mim, certeza que tinha pego o H1N1 ou a tuberculose ou a pneumonia daquela pessoa (pensar que era uma simples gripe... jamais). Maçanetas, corrimãos, dinheiro e qualquer coisa pública de encostar a mão, certeza que minha mão ficou repleta de germes e bactérias e até encontrar um álcool gel disponível a aflição era insuportável. Bom, hoje não acho mais nada disso, transo numa boa, passo por um túnel numa boa, ainda não viajo tão numa boa (mas já está bem melhor), não uso tolhas usadas emprestadas (porque aí é questão de higiene), com coisas públicas de encostar ainda preciso de um álcool gel à mão (total questão de higiene) e ainda quando tenho um corte feito sem querer, chego a achar que foi em algo enferrujado e por alguns instantes me preocupo com o tétano, mas depois passa e nada de pânico =) Progresso total!
E para verem como progredi, fui fazer a tal da ressonância, fui, fiz e venci (claro que com a minha mãe a tiracolo e um rivotril s.o.s na bolsa por precaução). Enfim, mais um medo e desafio vencido e ticado da lista! =)
Rossana Beck