Medos e fobias sempre terminam com uma reticência. Pois eles sempre estão surgindo, aumentando ou diminuindo (o que é o ideal!). Posso falar dos meus e do que passo ou passei e vejo que eles finalmente estão diminuindo depois de muitos psiquiatras e terapeutas, depois de ter sido um rato de laboratório na mão deles, encontrei dois seres iluminados (uma psiquiatra e uma terapeuta) que realmente estão preocupadas e engajadas em me curar (se é que isso é possível, mas ao menos o mais próximo disso!). Uma caiu do céu e a outra eu implorei e insisti tanto em ser sua paciente que a única saída dela foi me tratar.
Bom, vamos aos medos e as fobias...
Hospital, hospital é uma coisa que sempre me deixou apavorada. Quando eu era criança, até para ir visitar algum familiar enfermo eu ficava tão paranoica que achava que algum médico iria me agarrar pelo corredor e fazer exames em mim e achar alguma doença bizarra incurável. E este medo só foi aumentando e obviamente o medo de doenças foi aumentando proporcionalmente. Bom, depois dos dois seres iluminados já citados, hoje entro no hospital sozinha, consigo fazer tomografia sem fazer escândalo e volto para casa sem ficar achando que estou infectada por milhões de germes e bactérias =)
Mania de doença, eu nunca achei que tivesse isto, porque realmente sempre senti as dores e os sintomas de tudo que achava que tinha, na minha criativa mente eram os médicos da emergência do hospital que eram novos, inexperientes e ruins ao ponto de não descobrirem o que eu tinha! Voltava para casa aliviada e um pouco frustrada, meio estranho isso, mas é que não descobrindo nada eu realmente estava mais próxima de ser louca do que ter efetivamente algum problema físico. Isso também melhorou, melhor dizendo, melhorou consideravelmente, ainda tenho um medinho de ver resultado de exame de sangue, de ressonâncias, de preventivo e de tomografias, mas não tenho mais a mania de achar que estou com alguma doença grave!
Ressonâncias e tomografias. Pavor! Diversos médicos já me pediram estes exames, mas sempre me recusei! Certeza que eu ia descobrir na hora da tomografia que tinha alergia a iodo e que ia sofrer uma parada cardíaca e que a clínica, por mais boa que fosse, não estaria preparada para me ressuscitar pois não era um hospital, era apenas uma clínica de exames! Certeza que na hora da ressonância minha pressão ia cair e meu coração ia disparar com aquela espetada da agulha e com o buscopan intravenoso!
TOC, bem o toc é um amigo ainda, o pouco que me resta de sentir que tenho controle sobre algo. As listras da colcha da cama precisam estar alinhadas com a lateral da cama, os papéis e cadernos precisam estar impecavelmente alinhados uns com os outros, meus livros precisam, definitivamente, estarem organizados por temas. Bom, acredito que isso não é um toc super toc, pois consigo viver, e sei que as pessoas que tem toc são reféns totais disso ao ponto de não saírem de casa, de perderem seus empregos e suas vidas. Acredito que o que tenho é apenas uma organização além de um limite normal, ok, consigo conviver com isso. Só me atrapalhando às vezes quando já estou super aconchegada para dormir e lembro que ao tirar a meia ela caiu no chão e isso me incomoda tanto que preciso levantar para deixá-la no lugar específico que determinei onde as meias devem ficar e em todos os momentos que não consigo deixar nada largado e jogado de qualquer jeito, desencanadamente.
Pânico, o pânico felizmente é um ex namorado! Uma relação sofrida que me deixava fora de mim, com o mundo sem ar para me suprir, com meu coração palpitando descontrolado e achando que ia morrer em segundos e que ninguém me entendia, era uma solidão imensa de segundos, só eu e ele, que parecia uma eternidade! O pânico é egoísta, chega e quer você toda só para ele, bom, felizmente consegui terminar esta relação destrutiva de anos. Meu primeiro ataque foi por volta dos 20 anos dentro de um cinema, tinham muitas pessoas e não tinha ar para tanta gente! E se o cinema pegasse fogo? Eu morreria pisoteada. E se entrasse um maluco atirando em todo mundo? E se... e se...? Bom, isso tudo passou junto pela minha cabeça, como um tornado, em milésimos de segundo e claro, o ar faltou, o coração saiu pela boca e quase desmaiei, moral da estória, sai no início da sessão e meu namoradinho da época começou a desconfiar que eu era louca). Meu segundo, foi decidir fazer uma viagem com este mesmo namoradinho, para o sul de ônibus, bom até a véspera tudo ok, malas prontas e animados, até que comecei a ter certeza que iríamos sofrer um acidente, que o ônibus iria capotar e morreríamos todos, que o motorista ia dormir e ficaríamos presos nas ferragens, sangrando aos poucos até morrer. Enfim, tinha certeza disso (minha intuição nunca falha! Será? Bom, nunca paguei pra ver) e ninguém tirava isso da minha cabeça e acabei com o sonho da viagem maravilhosa quando estávamos às 18 hrs da tarde, do dia anterior à viagem, pedindo ressarcimento das passagens na rodoviária, aí meu namoradinho teve certeza que eu era louca. Foi aí que tive certeza que ele me amava, pois continuou comigo mesmo assim. E desde então vieram muitas outras fobias seguidas do pânico. Engarrafamento no túnel, certeza que a montanha ia desmoronar, que aquela terra ia cair toda sobre mim e que iria morrer soterrada e sufocada. Ter me cortado, certeza que tinha pego tétano, entre outras certezas que tenho até vergonha de dizer. Bom as fobias e pânico são inexplicáveis, tem vida e inteligência próprias. Todas as vezes que transei com camisinha e tomando pílula, certeza que tinha engravidado, porque não tomava a pílula exatamente nos mesmos horários e vai que eu tinha esquecido de tomar alguma e não me lembrava disso, e vai que a camisinha estava com um furo imperceptível? Alguém espirrando perto de mim, certeza que tinha pego o H1N1 ou a tuberculose ou a pneumonia daquela pessoa (pensar que era uma simples gripe... jamais). Maçanetas, corrimãos, dinheiro e qualquer coisa pública de encostar a mão, certeza que minha mão ficou repleta de germes e bactérias e até encontrar um álcool gel disponível a aflição era insuportável. Bom, hoje não acho mais nada disso, transo numa boa, passo por um túnel numa boa, ainda não viajo tão numa boa (mas já está bem melhor), não uso tolhas usadas emprestadas (porque aí é questão de higiene), com coisas públicas de encostar ainda preciso de um álcool gel à mão (total questão de higiene) e ainda quando tenho um corte feito sem querer, chego a achar que foi em algo enferrujado e por alguns instantes me preocupo com o tétano, mas depois passa e nada de pânico =) Progresso total!
E para verem como progredi, fui fazer a tal da ressonância, fui, fiz e venci (claro que com a minha mãe a tiracolo e um rivotril s.o.s na bolsa por precaução). Enfim, mais um medo e desafio vencido e ticado da lista! =)
Rossana Beck
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